sábado, 7 de agosto de 2010

Fabricante de pranchas transforma lixo em móveis

Restos da produção viraram lixeiras, pias e criados-mudos na casa do catarinense Mario Ferminio

Quando Mario Ferminio precisou colocar novos móveis na casa em que mora com a família, em Santa Catarina, o fabricante de pranchas não gostou do orçamento feito nas lojas especializadas. O objetivo era comprar a cabeceira da cama, um lavabo e dois armários laterais, mas, ao invés disso, Ferminio resolveu fazer, ele mesmo, os objetos. “Achei muito caro, pois eram coisas simples”, diz. A solução foi utilizar o lixo gerado na produção de sua fábrica para criar os novos itens da decoração.
O primeiro resultado da criatividade do catarinense foi a cuba para o lavabo, feita a partir do resto de madeira que integra a prancha. Depois disso, Ferminio produziu o armário inferior, para completar o conjunto. No quarto, o isopor que sobrava na fabricação dos produtos virou painel para a cama, que também ganhou companhia de dois criados-mudos feitos do mesmo material reciclado.

De acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em maio deste ano, o País perde R$ 8 bilhões por ano quando deixa de reciclar todo resíduo reciclável que é encaminhado para aterros e lixões nas cidades brasileiras. No País, apenas 12% dos resíduos sólidos urbanos e industriais são reciclados.

Foto: Divulgação

Painel para cama feito por Mario Ferminio



Segundo Ferminio - que além de fabricar pranchas surfa há 30 anos, a ideia para móveis reciclados surgiu há cerca de dois anos, mas a preocupação com o meio ambiente já o acompanha há mais tempo.

Em 2006, ele aderiu a novos processos de fabricação, com utilização de menos energia e materiais recicláveis. Foi nesta época, também, que começou a fabricar blocos de concreto utilizando o resto de isopor. “Mas é um produto difícil de comercializar por causa do preço mais alto do que o do bloco normal”, afirma.

A viabilidade dos produtos, inclusive, é um dos objetivos do catarinense, que trabalha hoje no aperfeiçoamento do processo de fabricação para poder levar ao mercado os móveis gerados a partir do lixo. De acordo com ele, uma das vantagens dos objetos reciclados é a maior resistência à umidade e aos ataques de cupins. O surfista lembra ainda que os consumidores de suas pranchas, em caso de desgaste ou quebra, podem devolvê-las para a reciclagem na fábrica.

A ideia de Ferminio é produzir outros produtos com o material reciclado. “É muito grande a possibilidade de criação”, diz ele. “Hoje quando mostro para meus amigos tudo o que estou fazendo, eles ficam abismados, pois são produtos exclusivos, bem feitos e vindos do lixo.”

Fonte: Juliana Kirihata, iG São Paulo | 07/08/10

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